Gestão de custos de saúde: 4 dicas práticas para otimizar gastos em empresas e operadoras de saúde

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A gestão de custos de saúde é um grande desafio tanto para as empresas quanto para as operadoras de saúde. A maioria dos planos de financiamento são baseados em coparticipação: isso significa que, mesmo para as empresas que contratam planos de saúde, a cultura dos usuários faz diferença no financiamento.

A saúde pública conhece isso há anos: o Sistema Único de Saúde (SUS) utiliza uma estratégia que facilita o fluxo de pacientes reduzindo gastos desnecessários. Embora essa estrutura seja nova para o sistema privado, temos muito a aprender e podemos implementá-la também nessa esfera.

Falaremos a seguir sobre 4 dicas práticas para reduzir o custo na assistência à saúde. Esses métodos podem ser usados tanto para empresas contratantes quanto pelas próprias operadoras; o ideal, no entanto, é que sejam aplicadas a todos os ambientes, ampliando ainda mais os seus efeitos. Vamos lá?

1. Invista na Atenção Primária

A Atenção Primária à Saúde (APS) é a grande aposta de vários países. Além de ser uma maneira efetiva na redução de custos em saúde, ela ainda é capaz de, em alguns locais, resolver cerca de 80% das queixas dos pacientes. É uma solução relativamente simples, que embasa todo o SUS e pode nos ensinar lições valiosas.

Seu funcionamento é baseado em um fluxo simples: a APS funciona como uma porta de entrada, atendendo às demandas gerais que os pacientes apresentam. A partir daí, os profissionais envolvidos nesse nível encaminham casos mais complexos que requerem uma avaliação mais aprofundada. Queixas simples, como dores de cabeça e quadros infecciosos agudos, podem ser prontamente resolvidos.

Um fluxo ineficaz traz custos excessivos à saúde de várias maneiras. Demandas relativamente simples, se tratadas em hospitais ou em Unidades de Pronto Atendimento, utilizam recursos que fogem à proposta do tratamento. Toda a estrutura administrativa, burocrática e física desloca seu foco — de doenças mais graves — para causas menos complexas.

2. Utilize o poder da tecnologia

Hoje em dia, vários serviços se utilizam do meio digital para otimizar seus ganhos. Na saúde, não é diferente. O termo Big Data se refere à análise de dados em grande quantidade que vem sendo cada vez mais utilizada na medicina. Assim, é possível saber os fatores de risco para cada doença, conhecer o perfil epidemiológico de uma região e direcionar seus recursos.

A tecnologia também é utilizada como facilitador de processos administrativos, dentro e fora da empresa. Um exemplo de seu uso em contato com outras instituições é a auditoria em planos de saúde: é possível realizar esse processo de uma maneira completamente digital. Isso facilita a transparência de contratos com operadoras de saúde simplificando um processo que tradicionalmente consumia muitos recursos de ambos os lados.

Dentro da empresa, os avanços são ainda mais visíveis. Há anos, não era uma prática incomum que todos os procedimentos em planos de saúde requisessem um formulário específico. Todo o preenchimento era manual, com a solicitação constante de dados dos pacientes e das clínicas colaboradoras. Essa prática atrasava processos internos da empresa e predispunha a erros humanos que podiam ter um importante impacto financeiro.

Nos dias atuais, a maioria dos grandes planos de saúde utiliza a tecnologia em todos os seus processos: desde a comunicação interna da empresa até o agendamento de pacientes e o contato com clínicas parceiras — tudo é realizado no ambiente digital. Essa é uma maneira de simplificar seus serviços, otimizar a saúde financeira e economizar recursos a longo prazo.

3. Aposte na prevenção

“Prevenir é melhor do que remediar”. Essa frase não é adequada somente para pacientes que se beneficiam da prevenção com menos complicações e mais qualidade de vida: cada vez mais a ciência caminha no sentido de comprovar que a prevenção de doenças é uma maneira de reduzir custos.

Por isso, promover medidas de prevenção de doenças e promoção da saúde não pode ser considerada um gasto supérfluo. Essas são medidas efetivas de otimização da saúde financeira da empresa, devendo ser enxergadas como investimentos a médio prazo. Embora, no início, elas demandem um maior esforço da empresa, logo esses recursos se convertem em benefícios.

Um exemplo muito simples e frequente é a assistência à saúde a pessoas com Diabetes mellitus. Essa é uma doença com fatores de risco bem estabelecidos, sendo mais prevalecente em indivíduos sedentários com uma dieta inadequada. Preveni-la é, na maioria dos casos, relativamente simples: estimular hábitos alimentares saudáveis e mudanças nos hábitos de vida parece fácil, não é mesmo?

A verdade é que a assistência a esses pacientes é muito mais profunda. É necessário que o médico que o acompanhe, além de fornecer as orientações necessárias, tenha uma boa relação médico-paciente e o acompanhe de longa data; afinal, apenas assim ele terá um vínculo efetivo com o paciente. Adesão ao tratamento, atuação da empresa e planejamento atuam, juntos, em uma prevenção eficaz de doenças.

Para se chegar a esse objetivo, é preciso uma integração sintonizada entre sistema de saúde e empresa. Assim, é possível inserir os métodos de prevenção no cotidiano do paciente e evitar que a doença se complique. É nesse nível que se observa uma otimização dos gastos em saúde. Menor número de internações, de necessidade de procedimentos invasivos e de medicamentos de alto custo são parâmetros objetivos de verificar o efeito da prevenção.

4. Mantenha uma educação constante

Como já mencionamos, o fluxo de pacientes dentro do sistema de saúde é importante para o controle de gastos. Muitas vezes, no entanto, esse fator não é apenas intrínseco à organização do plano propriamente dito: a educação do paciente em relação aos procedimentos de saúde também faz toda a diferença nessa estrutura.

Imagine que um funcionário da empresa tenha uma doença crônica, mas não saiba exatamente aonde ir. Ele procura um hospital ou uma Unidade de Pronto Atendimento, apresentando queixas gerais e inespecíficas. Ele então demora horas para ser atendido, fica insatisfeito e ainda consome, inadequadamente, recursos administrativos no sistema. Tudo para, ao final, ser referenciado a um consultório ambulatorial.

Por isso, conhecer exatamente como funciona a assistência à saúde é benéfico tanto para o paciente quanto para as empresas. Para isso, a tecnologia também pode ser uma aliada poderosa: vários planos de saúde já utilizam aplicativos informativos, com o objetivo de reduzir a desorganização dentro do sistema. Assim, todos saem ganhando.

A gestão de custos de saúde não é uma tarefa simples nem imediata. Ela demanda tempo, planejamento a longo prazo e embasamento em evidências científicas. No entanto, seguindo essas dicas simples e eficazes, é possível otimizar a saúde financeira de sua empresa e chegar a níveis cada vez superiores.

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